A produção de música popular e a construção de identidades autorais, particularmente no contexto do samba carioca de 1920 a 1950, baseiam-se num intenso compartilhamento de criação, bem como em amplo comércio, cessão e usurpação de autoria entre verdadeiros e falsos compositores. Concretizado na formação de parcerias, esse sistema interconecta sujeitos de diversos estratos sociais, manifestando as condições desiguais dos aspirantes à profissionalização na indústria fonográfica e radiofônica. Por outro lado, pode-se supor que a prática intensiva de parcerias, com maior ou menor grau de legitimidade ou autenticidade, intensifica o intercâmbio de traços temáticos e estilísticos, promovendo uma negociação estética que ajuda a configurar gêneros poético-musicais como o samba e a marchinha.
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